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Do Ultimato à Revolução: O Colapso da Monarquia em Portugal

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A crise económica que afetou a Europa nos finais do século 19, também se fez sentir em Portugal, provocada pelo descontentamento geral da população. Apesar de alguns sectores registarem um aumento da produção, o país continuava altamente dependentes das importações.
A desvalorização da moeda, a falência bancária, o aumento das importações e a dívida pública, juntamente com a diminuição dos investimentos, foram sinais evidentes desta crise. Para fazer face a estas dificuldades, o governo recorreu a empréstimos estrangeiros, especialmente do Reino Unido, e aumentou os impostos.
A desconfiança nos governantes e no regime monárquico crescia constantemente. Desde 1820, Portugal era governado por uma Monarquia Liberal Constitucional, mas na década de 1870, surgiram dois partidos políticos que, apesar de terem ideias diferentes, partilhavam a oposição à monarquia: Partido Republicano Português (1873) e o Partido Socialista Operário Português (1875). O Partido Republicano, aliado a sociedades secretas como a Maçonaria e a Carbonária, soube capitalizar o descontentamento popular criado pelo Ultimato britânico de 1890.
A rendição de Portugal à pressão britânica, na época uma potência mais forte, foi vista por muitos como um ato de cobardia, e acusaram o rei e a monarquia de não protegerem os interesses nacionais. As dificuldades financeiras e a instabilidade política contribuíram para descredibilização da Monarquia.
 
Entre 1891 e 1910, foram feitas várias tentativas para derrubar o regime monárquico.
 
A Revolta do Porto a 31 de janeiro de 1891, após o Ultimato Britânico, foi reprimida pelas tropas leais à monarquia, mas fez aumentar os adeptos da República. Em 1906, João Franco assume o governo no meio da instabilidade política e no ano seguinte estabelece um regime ditatorial, reprimindo todas as críticas ao governo. O rei D. Carlos, consciente dos riscos, manifestou a sua preocupação ao seu ajudante de campo, tenente-coronel José Lobo de Vasconcelos, meses antes de ser assassinado juntamente com o seu filho mais velho.
Após o regicídio de 1908, a instabilidade na Monarquia aumentou significativamente. D. Manuel II, sucedeu como o último rei de Portugal, jovem e sem preparação adequada para reinar.
Após demitir João Franco e atender a algumas demandas populares, persistia a sensação de iminente revolução. O luto pela trágica viragem na história portuguesa foi marcado pelo velório de D. Carlos e D. Luís Filipe na Igreja de São Vicente de Fora, em 8 de fevereiro de 1908.
 
📌  Impressionante como uma crise económica e um ultimato estrangeiro mudaram o rumo de um país inteiro, não é? Partilhe esta história e mantenha viva a memória da nossa História!
 



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