Já imaginou ter a audácia de convencer a gráfica oficial do seu país a imprimir dinheiro verdadeiro para si? Parece o enredo de um filme, mas foi o plano real e executado por um dos mais brilhantes burlões da história portuguesa: Artur Virgílio Alves Reis.
Nascido em 1895, Alves Reis era um homem de ambição desmedida. O seu sonho não era pequeno: queria ser uma figura de proa, alguém com o poder de “dinamizar a colónia de Angola”. Faltava-lhe o diploma, mas não a inteligência. Com uma falsificação, transformou-se em engenheiro e começou a sua escalada.
O Plano Inacreditável
Depois de uma passagem por Angola e de uma breve estadia na prisão por emitir um cheque sem cobertura, foi atrás das grades que Alves Reis delineou o seu golpe de mestre. A sua obsessão pela moeda deu-lhe a ideia: porque não convencer o próprio Banco de Portugal a autorizar a impressão de notas?
Usando documentos forjados com mestria, fez-se passar por um intermediário de investidores internacionais. Viajou até Londres e convenceu os donos da Waterlow & Sons, a empresa que imprimia as notas de 500$00 para Portugal, a produzir uma remessa massiva, alegando que seria para circulação exclusiva em Angola. O mais espantoso? Eles acreditaram.
O Auge e a Queda do Banqueiro
Com os sacos de dinheiro a chegar a Portugal, Alves Reis liquidou dívidas e fundou o seu próprio banco, o “Banco de Angola e Metrópole”, para “lavar” e introduzir as notas na economia. A sua ascensão foi meteórica e o volume de notas novas em circulação começou a levantar suspeitas.
Foi o jornal “O Século” que, a 23 de novembro, lançou a primeira pedra, questionando a origem da sua fortuna. A investigação subsequente, despoletada por um funcionário atento no Porto, levou os peritos do Banco de Portugal a uma conclusão chocante: existiam notas duplicadas. A farsa tinha sido descoberta.
Alves Reis foi detido. E o seu julgamento foi um dos mais mediáticos da época e, em 1930, foi condenado a 20 anos de cadeia.
O Legado de um Falsário
Mesmo após cumprir a pena, a sua mente inquieta não parou. Escreveu um livro, planeou novas burlas e tentou negócios na fronteira entre o lícito e o ilícito. A sua saúde, no entanto, já estava débil.
Artur Alves Reis morreu a 9 de julho de 1955, aos 58 anos, vítima de um enfarte. Deixou para trás a história de um homem que, com pura inteligência e uma audácia sem limites, conseguiu abalar os alicerces financeiros de um império. Uma história que, ainda hoje, nos fascina e espanta.
E você, já conhecia a incrível história de Artur Alves Reis? Partilha estas histórias com os teus amigos!



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